50 anos de laser: uma tecnologia disruptiva

Fonte: Ciência Hoje

Há precisamente meio século – em 17 de Maio de 1960 – o cientista Theodore Maiman conseguiu emitir, de forma controlada, um raio de luz utilizando cristal de rubi.

Ou melhor, dominou os princípios que estão na base da Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação, em inglês, Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, mais conhecido como Laser.

* Cirurgião, presidente da ALTEC.pt, Comité Científico Laser Europe 2010 e colunista de Ciência Hoje


Devem-se a Einstein os fundamentos do Laser, que os estudou em 1916, a partir das leis de Max Planck. Foi no entanto em 1953 que Charles Hard Townes desenvolveu o primeiro “Maser”, que emitia microondas em vez de luz visível. Simultaneamente, os soviéticos Nikolai Basov e Aleksander Prokurov desenvolviam estudos sobre a mesma tecnologia.

Mas se Maiman foi o primeiro a colocar em prática o Laser, o prémio Nobel foi no entanto atribuído a Schawlow e Townes que, pela primeira vez, anunciaram os princípios do Laser. Foi em 1961 que esta tecnologia foi utilizada numa intervenção cirúrgica, em Nova Iorque.

Actualmente o Laser é utilizado em praticamente todas as especialidades médicas e cirúrgicas, desde a oftalmologia, neurocirurgia, otorrino, cardiovascular, dermatologia e medicina estética. Tornou-se assim uma tecnologia disruptiva, ao apresentar-se como alternativa a técnicas clássicas, promovendo procedimentos mais simples e económicos.

As tecnologias disruptivas possuem esta característica: transformam procedimentos complexos em procedimentos mais simples e codificados, muitas vezes realizados por técnicos bem treinados e não super-especialistas (Christensen).

[photopress:laser.jpg,full,centered]A biofotónica, bem como outras técnicas médicas usadas em tratamentos e diagnósticos, têm sido baseadas sobretudo na sua actividade destrutiva sobre as células e tecidos humanos e animais. Os sistemas de Laser e as lentes associadas usam as propriedades da luz para esse efeito, mas existe ainda um vasto campo de conhecimento por explorar, principalmente no campo da fotodinâmica. Até agora, os efeitos térmicos, fotomecânicos e fotoquímicos têm sido os mais utilizados, mas o futuro trará os efeitos da bioestimulação tecidular.

Ou seja, os desafios futuros do uso desta tecnologia em medicina e cirurgia vão no sentido da miniaturização dos equipamentos, dos implantes fotónicos, no diagnóstico fotodinâmico e terapêutico (PDT) e na imagem de alta resolução sem radiações.

Esta última, aliás, conta já com um grande contributo português, graças a Irina Trifanov, que desenvolve o seu doutoramento em Portugal e trabalha na Multiwave Photonics, sediada na Maia, e que foi galardoada com o prémio ALTEC 2009.

Esta investigadora da Universidade de Kent descobriu uma nova fonte de Laser baseada em fibra óptica, uma tecnologia inovadora que promete baixar custos e miniaturizar os equipamentos. Que melhor comemoração para os 50 anos do Laser em Portugal?

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