Humor na Matemática

Para aqueles que não gostam muito de matemática, e também àqueles professores que não sabem mais o que fazer para tornar sua aula interessante… Aí vai a dica: Uma aula bem diferente, e comemorando o Halloween! Aumente o som e dê muitas risadas… Obs: audio em inglês, mas o mais interessante mesmo são as imagens.


Fonte: Humor na Ciência

Indicações de Leitura

Lendo a revista Engenharia Automotiva e Aeroespacial da SAE BRASIL (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade) número 40, encontrei algumas publicações interessantes que pelas descrições, eu gostaria de ler. Se alguém se interessar em leituras sobre engenharia, aí vão as dicas:

ADMINISTRAÇÃO E MANUTENÇÃO RÁPIDA ANALÍTICA (Analytical Fleet Maintenance Management), 3a edição:

Escrito por John E. Dolce, esta nova edição é a primeira atualização em mais de uma década, mostra detalhes de tecnologias de última geração que podem beneficiar gerentes, além de revisar as mais recentes práticas em administração de manutenção rápida. Esta terceira edição contém novos capítulos discorrendo sobre liderança de administração rápida e projetos e manutenção, assim como fórmulas aritméticas atualizadas ao longo do livro.

Data da publicação: junho de 2009

PREJUÍZOS DAS PERDAS BIOMECÂNICAS (Neck Injury Biomechanics):

O livro de Jeffrey A. Pike inclui 40 notáveis documentos cobrindo mais de 15 anos de pesquisas dos prejuízos das perdas biomecânicas. “Embora muitos dos fundamentos estejam associados ao veículo”, escreve Jeffrey A. Pike, “os dados resultantes relativos às perdas por movimentação e cargas são aplicáveis a uma larga gama de cenários de perdas.” Inclui documentos da International Technical Conference on the Enhanced Safety of Vehicles (ESV) e outras entidades internacionais, como também artigos da Traffic Injury Prevention.

Data da publicação: agosto de 2009

SISTEMAS DE INFOTAINMENT (Informação e entretenimento):

Autor: Ronald K. Jurgen. O campo de sistemas de coberturas de infotainment abrange uma larga variedade de aplicações digitais, incluindo conectividade interna, entretenimento, comunicações externas, serviços de navegação e rádio. Contém 87 documentos cobrindo os últimos oito anos (2000-2007) de desenvolvimentos de engenharia relacionados a sistemas infotainment. Os assuntos incluem: capacitação de tecnologias, software, comunicação, reconhecimento de voz, displays e navegação.

Data da publicação: julho de 2007

MOTOCICLETA, A EVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS QUE CONQUISTARAM O MUNDO:

Escrito por Fausto D’Azevedo Maciera. Duas rodas e um motor. Sobre essa simples idéia apoia-se todo um universo. Muito mais que um meio de transporte, a motocicleta é uma vitória do engenho e da arte, que permite locomoção com prazer, transporte com praticidade, estilo de vida com diversão. Seus entusiastas a definem como um símbolo: liberdade. Esta obra mostra a evolução dessas incríveis máquinas que conquistaram o mundo. A história da motocicleta traduz-se como uma verdadeira celebração da inventividade.

O contraditório no jornalismo científico

fonte:  Revista Unespciência, setembro de 2009.

Em seu livro Conhecimento Público, de 1968, o físico britânico John Ziman (1925-2005) destacou que a ciência moderna teve início pouco depois do surgimento da imprensa. Não a imprensa no sentido estrito e hoje predominante do jornalismo, mas no da impressão, da invenção gutemberguiana, que no século 15 rompeu definitivamente o círculo fechado em torno do conhecimento escrito. A partir desse recurso revolucionário, a recém-nascida ciência moderna não poderia ter deixado de se estruturar em função dele. Muito mais do que ser registrado, o conhecimento científico passou a ter de ser comunicado. Centenas de anos depois, no final do século 19, os cientistas já haviam estabelecido entre si a comunicação por meio de publicações destinadas a especialistas, ao passo que o jornalismo se tornara uma atividade empresarial voltada para o público em geral.

Em meio aos profissionais das diversas especialidades jornalísticas, os repórteres de ciência consolidam, no início do século 20, a imagem de tradutores da linguagem especializada dos cientistas, cada vez mais inacessível para os leigos. “Verdadeiros descendentes de Prometeu, os escritores de ciência pegam o fogo do Olimpo científico— os laboratórios e as universidades— e de lá o trazem para baixo, para o povo”, disse nos anos 1930 William Laurance, jornalista que cobria ciência no New York Times. (Citado por Dorothy Nelkinem Selling Science: How the press covers science and technology. Nova York: W. H. Freeman & Co., 1985.)

Essa criativa metáfora reflete o imaginário da sociedade não só sobre a distância entre o discurso científico e a linguagem comum, mas também sobre a posição dos cientistas como deuses, acima dos “mortais”. Porém, é consenso entre vários estudos que essa é uma concepção ultrapassada de divulgação da ciência. (Fapesp, Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2004, vol. I, p. 12-8.) De um modo geral, no plano do ensino de graduação do jornalismo, prevalece o objetivo pedagógico de substituí-la por uma prática jornalística ancorada na contextualização das atividades científicas, destacando seus problemas, seus métodos e seus aspectos históricos, sociológicos e filosóficos.

A convicção de tantos especialistas de que o modelo de divulgação científica é uma visão ultrapassada mal se estendeu além do mundo acadêmico onde ela foi construída, pois surtiu pouquíssimos efeitos na prática jornalística na cobertura de ciência e tecnologia, uma vez que nela persiste hegemonicamente aquela concepção superada. O papel passivo apontado como característica da sociedade no modelo de divulgação científica de Laurance aplica-se, em certa medida, a grande parte dos jornalistas que cobrem ciência, pois sua função mediadora é vista como nula no fluxo vertical da informação. E isso se deve não só à omissão no plano da contextualização das notícias de ciência, mas também à falta do contraditório. É como se a ciência fosse detentora de verdades absolutas e não comportasse diferentes visões sobre seus temas. Com isso, o jornalista abre mão não só de sua função mediadora, mas, acima de tudo, de seu dever profissional de lidar com diferentes versões. Quem perde com isso é o leitor, ouvinte ou telespectador, que recebe uma informação prejudicada para promover uma compreensão crítica do processo relacionado ao fato jornalístico.

Os cientistas, no entanto, sabem que as conclusões de suas pesquisas não são definitivas. Sabem também que grande parte de seus trabalhos envolve diferenças de interpretações, e geralmente os bons papers fazem menção a trabalhos baseados em visões conflitantes com a do autor. Mas raros são os jornalistas que lidam com artigos publicados em periódicos científicos e têm condições de identificar outras fontes que possam oferecer versões diferentes até mesmo divergentes da pesquisa que é o tema central de sua reportagem.

Cabe à sociedade exigir uma cobertura jornalística de ciência pautada pelo mesmo preceito ético de independência que deve reger a atividade da imprensa. Na verdade, essa é uma cobrança que precisa cada vez mais ser feita em relação ao jornalismo como um todo. Mas isso é assunto para outra conversa.

Como está a Ciência no Brasil hoje?

Fonte:  Click Ciência – UfscarA História da Ciência no Brasil aponta muitos responsáveis pela solidificação da prática de pesquisas em solo nacional. A trajetório foi longa, mas hoje temos um cenário promissor, com estudos que são destaque internacional

Diretor do CNPq avalia que, se o Brasil já sabe transformar dinheiro em pesquisa, o desafio é fazer com que essas pesquisas revertam em riquezas para o País

Falar de um começo para a prática científica no Brasil não é tarefa fácil. Dependendo do conceito de Ciência que se leva em consideração, esse marco inicial aponta para uma direção, para um contexto, um grupo de pessoas, ou para outros. Se, por exemplo, entendemos Ciência como a apropriação da Natureza pelo Homem, localizamos essa prática já entre os indígenas, capazes de transformar espécies selvagens em alimentos e medicamentos.

De lá até hoje muita coisa aconteceu, a Ciência brasileira se institucionalizou, ganhou força e destaque no cenário mundial. O convite, então, é para que você nos acompanhe em uma breve viagem ao longo da história do Brasil, com o objetivo de chegar aos dias atuais e analisar o cenário contemporâneo das pesquisas científicas, bem como os desafios que nos esperam no futuro.

Essa história começa ainda em fins do século XVIII, quando, apesar da proibição de realizar atividades manufatureiras imposta por Portugal, o Brasil viu nomes como Alexandre Rodrigues Ferreira, Vicente Seabra Telles e José Bonifácio de Andrada e Silva – que estudaram fora do País – realizar importantes trabalhos no campo das Ciências Naturais. As transformações políticas no início do século XIX, com a vinda da Família Real para o Rio de Janeiro e a passagem do Brasil para a categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves, mudam o cenário. “Naquela ocasião, foram criadas escolas de Medicina em Salvador e no Rio de Janeiro, a Academia Real Militar e o Museu Real. E, ainda antes da Independência, o Brasil recebe a visita de alguns naturalistas europeus”, exemplifica o pesquisador Henrique Lins, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST).

Após a Independência, esse intercâmbio de cientistas aumenta consideravelmente. O Brasil recebe nomes de peso, como os naturalistas Charles Darwin, Alfred Wallace, Richard Bates, Peter Lund, Von Martius e Saint Hilaire. A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Observatório Imperial, da Comissão Geológica do Império, do Museu Paraense, do Museu Paulista, além de outras instituições que contaram com o apoio de D. Pedro II, também colabora para o desenvolvimento de uma nova mentalidade científica.

O século XX se inicia com contribuições marcantes de brasileiros no cenário mundial: Oswaldo Cruz coordena o saneamento do Rio de Janeiro; Santos Dumont, na França, resolve o problema do vôo dirigido; e Carlos Chagas elucida a doença que leva o seu nome. “E tem também o trabalho de Euclides da Cunha, de Cândido Rondon, de Sérgio Buarque de Holanda e de muitos outros que pensam a sociedade brasileira com uma abordagem científica. Na área da Sociologia, as contribuições de Gilberto Freire e de Caio Prado Junior vão construindo uma melhor compreensão do Brasil e, na Educação, Anísio Teixeira deixa a sua marca”, lista o pesquisador do MAST.

A criação da Universidade de São Paulo (em 25 de janeiro de 1934), logo após a Primeira República, constitui um marco importante no desenvolvimento das ciências no Brasil. Uma evolução gradual vem ocorrendo desde então e, após a Segunda Guerra Mundial, surge um movimento de institucionalização da Ciência que culmina com a criação, em 1951, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

(Para saber mais sobre a evolução histórica da prática científica no Brasil, acompanhe a entrevista com a professora Márcia Ferraz, na seção de Entrevistas.)

No tempo de agora

Em 1993, o CNPq criou o Diretório dos Grupos de Pesquisa que, desde então, realiza, a cada dois anos, um censo para avaliar o cenário da ciência brasileira. A distribuição geográfica, as linhas de pesquisa desenvolvidas, a produção científica, tecnológica e artística dos pesquisadores e estudantes que integram os grupos cadastrados, as especialidades do conhecimento e setores de atividade são alguns dados que integram o mapeamento realizado pelo CNPq.

O mais recente censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil foi realizado durante o ano de 2008 e acaba de ser divulgado. A análise dos dados processados proporciona a construção de um abrangente panorama sobre a atual capacidade de pesquisa do País. Segundo o censo, de 1993 para 2008 o número total de grupos de pesquisa no Brasil quase quadruplicou, passando de 3.015 para 11.120.

No entanto, embora o número seja expressivo, o professor de Epistemologia e História da Ciência Wilton Barroso Filho, da Universidade de Brasília (UnB), não o considera um bom medidor do potencial e da qualidade das pesquisas brasileiras. “Hoje, é muito fácil e simples se montar um grupo de pesquisa, daí esse aumento significativo de cadastros. Mas não há um acompanhamento do trabalho desenvolvido por eles e nem do tempo de duração desses grupos, o que torna esse indicativo extremamente frágil”, afirma.

Considerando que o Brasil começou a implantar o seu sistema de Ciência e Tecnologia só em 1951 – com a criação do CNPq e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) -, pode-se avaliar que o aumento no número de grupos de pesquisa nos últimos 15 anos demonstra ainda uma fase de amadurecimento, como acredita José Roberto Drugowich, diretor de Programas Horizontais e Instrumentais do CNPq. “Em menos de 60 anos atingimos uma posição invejável no cenário internacional e somos hoje o décimo terceiro maior produtor de artigos científicos do mundo, superando Rússia, Holanda, Suécia e outros tantos países”, ilustra Drugowich.

Os dados do CNPq mostram também que uma constante descentralização regional da pesquisa está ocorrendo. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste foram as que mais cresceram em 2008, em se tratando de número de pesquisadores. De acordo com Drugowich, esse crescimento deve-se ao fato de que naquelas regiões os investimentos aconteceram mais tarde do que no Sul e Sudeste do País. “Por determinação do Ministério da Ciência e Tecnologia, o CNPq tem destinado, nos últimos anos, um mínimo de 30% dos seus recursos para projetos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Com isso, temos garantido a expansão dos grupos de pesquisa nessas regiões, sem deixar de ampliar o investimento nos grupos de excelência das regiões Sul e Sudeste, muitos dos quais têm nível internacional.”

Além disso, Wilton Barroso Filho, da UnB, lembra que foram feitos grandes esforços políticos para a formação de profissionais capacitados nesses lugares. “As universidades da Paraíba e de Pernambuco, por exemplo, investiram pesado na formação de profissionais e têm, atualmente, um número elevado de PhDs formados em universidades estrangeiras. São pessoas que criaram laços com esses lugares e começaram a produzir conhecimento e a disputar com os centros do Rio e de São Paulo”, comenta. Nesse sentido, Drugowich reforça que “o apoio consistente aos grupos de pesquisa, por meio de editais regulares, e a expansão do número de bolsas de formação do CNPq e da Capes têm se mostrado instrumentos eficazes para a consolidação de um sistema nacional de Ciência e Tecnologia abrangente e competitivo”.

“O nosso ministro de Ciência e Tecnologia é da Universidade Federal de Pernambuco, que inclusive desenvolve pesquisas de ponta relacionadas à cura da AIDS, por exemplo. A Universidade Federal da Bahia é importantíssima, tem conseguido realizar trabalhos fantásticos e tem, por acaso, o reitor mais inteligente do País hoje, o médico e professor Naomar Almeida Filho, que está na base da ideia da expansão da universidade no Brasil”, afirma Barroso Filho, para ilustrar seu ponto de vista.

Em relação às áreas da Ciência de maior destaque, atualmente, o censo do CNPq mostra que Medicina, Educação e Agronomia são as três maiores em número de linhas de pesquisa. “A agricultura é nossa vocação, até pela configuração do nosso território. Nós temos que constantemente desenvolver tecnologias para as demandas do trabalho no campo e o futuro do País, principalmente no que diz respeito à sustentabilidade da nossa economia, depende muito disso”, diz o pesquisador da UnB. “A própria criação da Embrapa, há 40 anos, demonstra a opção brasileira pela agropecuária. O Brasil produz em média um pouco mais de 2% de tudo o que se publica nas boas revistas científicas internacionais, mas na área de Ciências Agrárias somos responsáveis por quase 5% do que é publicado. E ainda mais importante é que toda essa teoria está sendo transformada em desenvolvimento tecnológico”, enfatiza Drugowich.

No caso de Medicina, a situação é um pouco diferente. Há muito tempo as esferas federal, estadual e municipal de governo investem na formação de médicos para que o atendimento à saúde da enorme população brasileira seja cada vez melhor e universal. “Acontece que, nos últimos 10 ou 20 anos, os médicos não têm mais se contentado com a formação e o trabalho em seus consultórios ou hospitais. Ou seja, eles têm, cada vez mais, procurado o mestrado e o doutorado, formando grupos de pesquisa e registrando o resultado de seus trabalhos em artigos em importantes revistas de Ciência, o que justifica o crescimento recente dessa área de estudo no Brasil”, avalia o diretor do CNPq.

“Já a Educação é uma grande necessidade que nós temos! Não querendo ser muito marxista, mas eu acredito muito no contexto histórico que faz a nossa necessidade. E o nosso contexto nos obriga a formar mais e mais professores”, diz Barroso Filho. No entanto, ele ressalva: “Nós temos de ter um maior controle na formação de profissionais na área de Educação, o barateamento dos cursos em muitas universidades particulares tem resultado em muita ‘porcaria’ para o Brasil. Em contrapartida, temos o exemplo da Secretaria de Estado de Educação do Acre, que tem à sua frente a pedagoga Maria Corrêa e que está espalhando escolas em um Estado que é selva pura, com o projeto ‘Semeando a Educação no Estado do Acre'”. O diretor do CNPq reconhece que, embora os investimentos tenham sido grandes, a área da Educação, pelo seu tamanho e importância, precisa ser ainda mais apoiada.

Dos pesquisadores cadastrados em 2008, 49% são mulheres e 51% homens. Os números indicam uma evolução da presença feminina na realização de pesquisas, tendo em vista que, em 1993, a cada 100 pesquisadores apenas 39 eram mulheres.  “A sociedade mudou, o papel da mulher mudou e a classe média empobreceu. Daí, até que ponto é possível manter o padrão de vida sem que marido e mulher estejam trabalhando? Além disso, o perfil e as ambições da mulher são diferentes, hoje. E também, ser professora e pesquisadora permite que elas continuem gerindo a casa e os filhos. Em última instância, esse número reflete o fenômeno natural da igualitarização dos gêneros”, justifica o professor da UnB.

Drugowich completa dizendo que, atualmente, as mulheres encontram cada vez menos barreiras para se estabelecerem como profissionais. “Há algum tempo, algumas escolas de Medicina não aceitavam que mulheres fossem fazer especialização em cirurgia, por exemplo, e isto não existe mais! Então, elas estão entrando em todas as carreiras e, como são metade da população, nada mais coerente do que representarem metade dos pesquisadores também.”

Participaram do último censo do CNPq 422 instituições, registrando 22.797 grupos de pesquisa compostos por mais de 104 mil pesquisadores, sendo 66.785 doutores. Na comparação com o censo de 2002, o crescimento no número de grupos cadastrados foi de 50%. O número de pesquisadores cresceu 83% e o de doutores 94% no mesmo período. “Apesar desse crescimento, apesar da pós-graduação brasileira ser bem sucedida, apesar do apoio continuado da Capes, do CNPq e das fundações estaduais, o fato é que o Brasil ainda tem menos de um doutor por mil habitantes, ao passo que Espanha, França, Inglaterra têm por volta de cinco doutores por mil habitantes”, ressalva o diretor do CNPq.

Indagado sobre a importância do crescimento do número de doutores, Drugowich diz que onde quer que atuem os profissionais com doutorado – seja na formação de outros pesquisadores, no desenvolvimento tecnológico em empresas ou dando consultoria para organizações -, eles estarão aptos a desenvolverem um trabalho que é diferenciado e que realmente pode colocar o Brasil em posição de destaque. “A Embraer, por exemplo, é um caso de sucesso porque conta com o trabalho de cinco mil engenheiros entre os quais grande parte possui doutorado. Dessa forma, o investimento que se faz na formação de doutores se reverte em benefícios para toda a sociedade brasileira.”

Com tudo isso, o que se percebe é que fazer Ciência no Brasil deixou de ser uma tarefa “para missionários”: atualmente, a prática está profissionalizada, os pesquisadores têm onde buscar recursos, têm como fazer suas solicitações e recebem apoio para os seus projetos. Mas qual o principal desafio da Ciência e dos cientistas brasileiros? O que ainda é preciso ser feito? Onde é preciso avançar? “Hoje a gente sabe transformar dinheiro em pesquisa e temos condições e material humano para desenvolver trabalhos de ponta. O grande desafio que se coloca é aprendermos a transformar pesquisa em dinheiro. Os pesquisadores brasileiros adquiriram maturidade e a produção brasileira cresce a uma velocidade que é oito vezes maior do que a média mundial. O próximo passo é transformar essas nossas pesquisas em riqueza para o País, e nós estamos preparados para isso”, conclui Drugowich.

O medo social

Texto de João Paulo de Oliveira Freitas

Medo: o que seria exatamente esse sentimento que atormenta nossas vidas há tanto tempo?

Teve sua origem da palavra “Metum”, versão latina de “Fobos”, o qual originou o derivado “fobia”. Fobos era um deus grego fruto da união de Ares (o deus da guerra selvagem, tinha sede de sangue) e Afrodite (a deusa da beleza e do amor). Além disso, era irmão gêmeo de Deimos, personificação do temor.

Fobos acompanhava seu pai, Ares, nos campos de batalha, injetando nos corações dos inimigos a covardia e o medo que os fazia fugir.

Analisando cuidadosamente esse pequeno contexto histórico grego, vemos que o medo não passa de um mito. Algo de criação humana para abafar um sentimento de difícil explicação. Um sentimento criado.

Um dos principais medos humanos atuais é a morte. Por que não nos assustamos com os nascimentos? Nascimentos a gente vê todos os dias, assim como vemos mortes também. A questão é que pelo nascimento todos já passaram, mesmo que não se lembrem, e não vêem problema algum em nascer e viver. Diferentemente, a morte é algo desconhecida. Quem passou não pode voltar e explicar o que é e como é.

Ou seja, o medo é tudo aquilo desconhecido. É o que nunca se fez, ou nunca se viu. Na História temos fatos que mostram que o medo passou a se tornar símbolo da violência. Vejamos o caso de “O Grande Medo de 1789”, foi um período no qual o campesinato francês tomou conhecimento da Revolução Francesa (conhecida pelo lema “liberdade, igualdade e fraternidade”), o que desencadeou uma série de ataques a castelos e saques a aldeias. Muitos nobres fugiram de suas propriedades propiciando o fim dos resquícios feudais na França. Esses nobres se viram sob a mira do temor alimentado pela violência.

A insegurança tomou conta do que antes era medo. Sair às ruas é algo inseguro, causa medo, medo de ser assaltado, violentado ou até mesmo sequestrado. Os próprios sequestradores têm medo: da polícia, da prisão, dos presos. Mais recentemente, em 2008, tivemos o caso Lidemberg, um jovem que por medo de perder mais uma vez sua namorada, resolveu sequestra-la. Um surto enlouquecido que durou quatro dias e terminou em tragédia.

Em vista de tudo isso é fácil analisar o medo. Antes um sentimento inexplicável que a Grécia Antiga abafou com os mitos dos deuses. Mais tarde a evolução da palavra veio junto às questões de violência, frutos de atrocidades causadas no decorrer da História. E atualmente, a violênci, muitas vezes, nem chega diretamente a nós, mas em vista de seu desenvolvimento assustador, o medo passou a ser a insegurança. Evitar sair nas ruas, ou aprisionar-se em casa, se tornou mais seguro. É como se as pessoas de bem vivessem em pequenos mundinhos e os criminosos estivessem em um gigantesco presídio chamado “Liberdade”.